terça-feira, 12 de julho de 2011

Wenn Bach, dann Richter!!!!

Karl Richter foi um músico alemão da mais alta grandeza, nascido em 15 de outubro de 1926 na cidade alemã de Plauen (Estado da Saxônia, quase fronteira com a atual República Checa). Ele, infelizmente, morreu no dia 15 de fevereiro de 1981 em Munique (Estado alemão da Bavária).

Ele ficou mais conhecido mesmo pela suas interpretações de Bach. Pelo fato de o pai de Richter ter sido pastor evangélico, Karl já teve contato com a música de Bach desde a sua mais tenra infância.

Para àqueles que falam alemão, só para entender do quê se trata esta postagem, aqui está um excerto sobre Karl Richter da página eletrônica alemã "KlassikAkzente.de":

"...Wenn Bach, dann Richter. Über ein Vierteljahrhundert hinweg galt der Slogan und war wie ein Gütesiegel für musikalische Qualität. Vor allem für die geistlichen Werke des Thomaskantors hatte Richter eine Sensibilität entwickelt, die ihm die künstlerische Arbeit auf oberstem Niveau ermöglichte. Anno 1926 im vogtländischen Plauen geboren, kam er als Sohn eines evangelischen Pfarrers bereits in Kinderjahren mit den Bachschen Sakralklängen in Kontakt. Erst Kreuzschüler in Dresden, dann Student der Kirchenmusik bei Karl Straube und Günther Ramin in Leipzig wurde er mit verschiedenen Interpretationstraditionen vertraut und arbeitete sogar ein Jahr lang als Thomasorganist in der Nachfolge des barocken Meisters. Im Jahr 1951 zog Richter nach München und begann schrittweise, als Kantor der Markuskirche und Dozent an der Musikhochschule einen Kreis von Bach-Begeisterten um sich zu sammeln. Er gründete den Bach-Chor (1951), das Bach-Orchester (1953) und erwarb sich mit seinen Künstlern innerhalb kurzer Zeit den Ruf eines herausragenden Bach-Interpreten. Richter sammelte Talente und Stars wie die Organistin Hedwig Bilgram und den Bariton Dietrich Fischer-Dieskau um sich, mit deren Hilfe er das internationale Niveau seiner Aufführungen und Aufnahmen garantieren konnte..."


O ponto mais alto da carreira de Richter foi, provavelmente, a gravação da Missa em Si menor (BWV 232) em 1961 com a Münchner Musikhochschule (Faculdade de Música de Munique). Só para se ter uma idéia da importância dessa gravação, ela fez parte da coletânea mandada para o espaço sideral nas missões da NASA Voyager 1 e 2 (o chamado Disco de ouro da Voyager http://pt.wikipedia.org/wiki/Voyager_Golden_Record). O objetivo dessa missão foi mostrar diversas imagens e sons produzidos no planeta terra, para eventuais seres extraterrestres.

Então, eu resolvi postar aqui 3 videos de Karl Richter (todos do youtube), sendo que o primeiro deles, é justamente a Missa em Si menor do Bach (BWV 232); o segundo mostra o Richter executando uma peça de Bach, ao cravo (cembalo em alemão). A peça é Toccata e Fuga em Sol menor (BWV 915); e por fim, ao órgão, a famosa Toccata e Fuga de Bach, em Ré menor (BWV 565).

Pois bem, aproveitem esses vídeos e essas músicas compostas pelo, talvez, maior gênio da música de todos os tempos, e interpretadas pelo, talvez, maior intérprete de Bach de todos os tempos.

Vídeo 1: Missa em Si menor (BWV 232). Primeiro movimento "Kyrie eleison".
Os outros movimentos desta obra podem ser acessados diretamente no YouTube.
Neste vídeo, prestem atenção aos adornos da Igreja. Não consegui identificar em qual Igreja este vídeo foi gravado, mas desconfio que tenha sido em Munique mesmo.


Vídeo 2: Toccata e Fuga em Sol menor, ao Cembalo, (BWV 915)


Vídeo 3: Toccata e Fuga em Ré menor, ao órgão, (BWV 565)
Aqui, neste último vídeo, prestem atenção no quê que esse cara faz com os pés nos períodos entre 5'41'' e 5'55''; e entre 6'50'' e 7'27''.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Olá gente!

Hoje é um grande dia para a comunidade científica internacional. Resolvi abrir um espaço específico para postagem de materiais relacionados à economia. O site se chama "Economia & Afins", e pode ser acessado através do link próprio contido neste blog (em professional links).
Assim, não haverá mais mistura de assuntos sérios com baboseiras rotineiras à blogs como este.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Que Globalização?

Again, from the Economist...online edition April, 20th 2011


Segundo a revista britânica "The Economist", a globalização não é tão ampla quanto a gente pensa.


"...Only 2% of students are at universities outside their home countries; and only 3% of people live outside their country of birth. Only 7% of rice is traded across borders. Only 7% of directors of S&P 500 companies are foreigners—and, according to a study a few years ago, less than 1% of all American companies have any foreign operations. Exports are equivalent to only 20% of global GDP. Some of the most vital arteries of globalisation are badly clogged: air travel is restricted by bilateral treaties and ocean shipping is dominated by cartels..."


Muitas coisas ficam mal entendidas, porque a globalização não tem que ser necessariamente, por exemplo, pessoas indo estudar num outro país, diferente daquele onde elas nasceram, mas simplesmente estudar no país em que nasceu as mesmas coisas estudadas em outros países. Não se tem que ir ao México pra comer tortilhas.


O fato de 3% das pessoas viverem num país diferente não é pouco. É muita gente 3%. Esses 3% são regularmente visitados por amigos e parentes, levam coisas do exterior para os seus países de origem, e assim vai...Quantas pessoas fazem regularmente viagens internacionais? Quantas pessoas falam um idioma estrangeiro?


Então, uma velha tecla, globalizção é realmente questão de definição. É que nem estatística é usada sempre diferente, dependendo da vontade de quem a está usando.  







domingo, 6 de fevereiro de 2011

Etanol, Ethanol, Bioetanol or Bioethanol (in Portuguese and English)

Portuguese Version
Só pra dar uma idéia geral da situação, da ambição e da pretensão do setor sucroalcooleiro brasileiro, vou citar aqui um trecho da seção "conclusões e comentários" da primeira fase (ano 2005) do "Estudo sobre as possibilidades e impactos da produção de grandes quantidades de etanol visando à substituição parcial da gasolina no mundo", realizado pelo NIPE/UNICAMP (Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético/Universidade de Campinas), encomendado pelo CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos).

"A demanda de gasolina no mundo situa-se hoje (2005) em torno de 1,2 trilhões de litros por ano. O National Energy Information Center (NEIC) dos E.U.A., projeta um aumento de 48% neste consumo, entre 2005 e 2025, levando o total para cerca de 1,7 trilhões de litros em 2025. Considerando que o poder calorífico do etanol é menor que o da gasolina, e que o uso do etanol melhora um pouco a eficiência dos motores ciclo Otto, a quantidade de etanol necessária para substituir 10% desta gasolina (170 bilhões de litros) foi estimada, preliminarmente, em 205 bilhões de litros por ano que, nas produtividades de hoje (2005), demandaria cerca de 35 milhoões de hectares de cana-de-açúcar.
...
Os índices técnicos da cadeia produtiva do etanol podem ser agrupados de uma forma simplificada como 70t/ha (toneladas por hectare) de produtividade para a cana (área cultivada), que com um teor de sacarose médio de 14,5% resultaria em 85 litros de etanol anidro por tonelada de cana processada. De uma forma ainda mais condensada, estes números representam cerca de 6.000 litros de álcool anidro por hectare cultivado com cana de açúcar.
...
Nos estudos sobre novas áreas de expansão, foram identificados cerca de 260 milhões de hectares de terras aptas para produção de cana, dos quais 120 milhões são terras com produtividade alta (81t/ha) e média (73t/ha); nessas áreas não há necessidade de irrigação. Obviamente, uma parte já está ocupada com outras culturas, mas ainda assim a disponibilidade de terras para expansão dos canaviais, dentro dos limites estimados no estudo, não será empecilho para se atingir os objetivos propostos. Nas produtividades de hoje (2005), seriam necessários cerca de 35 milhões de hectares de novos canaviais para produzir 205 bilhões de litros de etanol por ano."

English Version
"The world demand for gasoline lays today (2005) by 1.2 trillion liters annualy. The National Energy Information Center (NEIC), in the US, projects an increase of 48% for this demand between 2005 and 2025, which would bring the demand to a total of 1.7 trillion liters by 2025. If we consider that ethanol has less calorific power than gasoline, but it improves the efficiency of Otto-motors, the quantity of ethanol needed to subsitute 10% of this project demand for gasoline (170 billion liters) was estimated by 205 billion liters ethanol annualy, which based on today's productivity would represent about 35 million hectars of sugarcane.
...
The tecnical information about the ethanol's production chain can be summarized as 70 tons/hectar, which would result in 85 liters anhydrous ethanol for each processed ton of sugarcane (sugarcane with a sucrose content of 14,5%). It would represent about 6,000 liters anhydrous ethanol per cultivated hectar.
...
Following the studies about expansion of the sugarcane fields in Brazil, there were 260 million hectars of land identified, where the cultivation of sugarcane is possible. From those 260 million hectars, 120 million hectars were listed as high productivity (81 tons per hectar) and medium productivity (73 tons per hectar). In these areas there is no need for irrigation. Of course, part of these 120 million hectars is already in use with other culture, but it would represent, in general, no threat to the project of producing annualy 205 billion liters ethanol."


Well...I just wanted to give an idea about how the Brazilians are thinking and developing the sugarcane sector. Of course, this study (maybe a little too euphoric) began in 2005 (1 Phase) and was completed in 2007 (2 phase), in other words, before the huge pre-salt discoveries PETROBRÁS has made in 2007/2008.
I am developing a paper on this subject together with two senior researchers of the Freie Universität Berlin, and I will try to keep this blog informed about new developments on that!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Article from "The Economist". Of course, no violation of copyrights intendend!

Science in Brazil Jan 6th 2011 | SÃO PAULO | from PRINT EDITION

POPULAR with foreigners looking for sun, sea and samba, Brazil wants to turn itself into a hot destination for seekers of science. Though its own bright graduates still head to Europe or the United States for PhDs or post-doctoral fellowships, nowadays that is more because science is an international affair than because they cannot study at home. The country wants more of them to return afterwards, and for the traffic to become two-way.

Brazil is no longer a scientific also-ran. It produces half a million graduates and 10,000 PhDs a year, ten times more than two decades ago. Between 2002 and 2008 its share of the world’s scientific papers rose from 1.7% to 2.7%. It is a world leader in research on tropical medicine, bioenergy and plant biology. It spends 1% of its fast-growing GDP on research, half the rich-world share but almost double the average in the rest of Latin America. Its scientists are increasingly collaborating with those abroad: 30% of scientific papers by Brazilians now have a foreign co-author.

Becoming part of the global scientific endeavour is about more than national pride. By doing their own science, developing tropical countries can make sure that it is not only the problems of people in rich, temperate places that get solved.

São Paulo, Brazil’s richest state, is leading the effort. It has the country’s best universities, including the only two that make it into the top 300 in both of the best-known global rankings. Its constitution guarantees the state research foundation, known as FAPESP, 1% of the state government’s tax take. That amounted to $450m in 2010, and comes on top of money from the federal government.

This allows São Paulo to offer the money and facilities to attract foreign researchers. That will remain essential for a while. Brazil is short of established scientists, a legacy of the dire condition of its schools, even if these are now improving. “We have money, and plenty of ideas,” says Glaucia Mendes Souza, an expert on sugar-cane genomics at the University of São Paulo who co-ordinates FAPESP’s bioenergy research. “We need more research groups, and more people to lead them.”

Fortunately, this is a good moment to lure foreign scientists. Research funding is being squeezed in Europe and North America. Although Brazil’s super-strong currency may bring fears of deindustrialisation, it also makes all kinds of imports cheaper. But snaring academic superstars will be hard. Though Brazil pays junior researchers well by international standards, the same is not true at the top of the scale. Publicly funded universities have no flexibility to offer more money to seal a deal. Nor can they offer research-only contracts: all tenured academics must teach undergraduates. Permanent positions can be filled only by open competition: heads of department cannot simply identify the best candidate and start negotiating. And those competitions include a public examination—in Portuguese.

Still, FAPESP is trying. It has advertised two-year fellowships at some São Paulo universities in Nature, a scientific journal read globally, and though most responses came from scientists early in their careers, it is mostly the more senior ones who are being invited for discussions. FAPESP hopes that during those two years they will learn Portuguese (lessons are included) and that some will want to stay.

Perhaps the main thing Brazil can offer scientists is plenty of room to grow. “You can have your own laboratory here,” says Anete Pereira de Souza, a plant geneticist at the University of Campinas, another big São Paulo state university. “You can start an entire new area of research. Here, you’re a pioneer.”

from PRINT EDITION | The Americas

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Natal Natal

Só para colaborar com o Espírito de Natal, resolvi fazer uma postagem natalina.
Poesia "Ein Kinderlied auf die Weihnachten", de Martin Luther.

Ein Kinderlied auf die Weihnachten

Vom Himmel hoch da komm ich her.
Ich bringe euch gute neue Mär
Der guten Mär bring ich so viel,
Davon ich singen und sagen will:

Euch ist ein Kindlein heut geborn,
Von einer Jungfrau auserkorn,
Ein kindelein so zart und fein,
Das soll eu'r Freud und Wonne sein.

Es ist der Herr Christ unser Gott.
Der will euch führ'n aus aller Not.
Er will eu'r Heiland selber sein,
Von allen Sünden machen rein.

Des lasst uns alle fröhlich sein
Und mit den Hirten gehn hinein,
Zu sehen, was Gott uns hat beschert,
Mit seinem lieben Sohn verehrt.

Und wär' die Welt viel mal so weit,
Von Edelstein und Gold bereit,
So wär' sie doch dir viel zu klein,
Zu sein ein enges Wiegelein.

Ach mein herzliebes Jesulein,
Mach dir ein rein sanft Bettelein
Zu ruhen in mein's Herzens Schrein,
Dass ich nimmer vergesse dein.

Lob, Ehr sei Gott im höchsten thron,
Der uns schenkt seinen einzigen Sohn.
des freuen sich der Engel Schar
Und singen uns solch's neues Jahr.


Uma Canção de Criança para o Natal

De lá de cima do Céu venho eu
Eu trago-lhes uma boa notícia.
Da boa notícia eu trago tanto,
Que dela eu cantar e dizer quero:

À vocês uma criancinha hoje nasceu,
De uma Virgem parido
Uma criancinha tão carinhosa e fina,
Que deve ser-lhes alegria e felicidade.

Ele é o Senhor Cristo nosso Deus.
Ele quer guia-los fora de todas as necessidades.
Ele próprio quer ser sua Terra Sagrada.
De todos os pecados purificar.

Isso nos deixa todos alegres
E com o Pastor caminhar,
Para ver o quê Deus nos concede,
Com o seu amado Filho adorar.

E fosse o mundo muito maior,
De pedras preciosas e ouro adornado
Assim ele te seria muito pequeno
Para ser um estreito bercinho.

Oh meu querido Jesusinho,
Faça para ti uma pura macia caminha
Para descansar no santuário do meu coração,
Que eu o teu nunca mais esqueça.

Louvor, Honra seja Deus no Trono mais alto,
Que nos presenteia seu único filho,
Disso se alegra a multidão de Anjos,
E nos cantam disso o novo ano.


Esse foi realmente complicado pra traduzir...
Abaixo um vídeo natalino bacana, feito num shopping nos Estados Unidos.





Pois bem, Feliz Natal e Feliz Ano Novo.
Agora vou pra mais um tour pela Europa...

sábado, 11 de dezembro de 2010

A Roupa Nova do Rei

"Era uma vez um rei, tão exageradamente amigo de roupas novas, que nelas gastava todo o seu dinheiro. Ele não se preocupava com seus soldados, com o teatro ou com os passeios pela floresta, a não ser para exibir roupas novas. Para cada hora do dia, tinha uma roupa diferente. Em vez de o povo dizer, como de costume, com relação a outro rei: "Ele está em seu gabinete de trabalho", dizia "Ele está no seu quarto de vestir".

A vida era muito divertida na cidade onde ele vivia. Um dia, chegaram hóspedes estrangeiros ao palácio. Entre eles havia dois trapaceiros. Apresentaram-se como tecelões e gabavam-se de fabricar os mais lindos tecidos do mundo. Não só os padrões e as cores eram fora do comum, como, também as fazendas tinham a especialidade de parecer invisíveis às pessoas destituídas de inteligência, ou àquelas que não estavam aptas para os cargos que ocupavam.

"Essas fazendas devem ser esplêndidas, pensou o rei. Usando-as poderei descobrir quais os homens, no meu reino, que não estão em condições de ocupar seus postos, e poderei substituí-los pelos mais capazes... Ordenarei, então, que fabriquem certa quantidade deste tecido para mim."

Pagou aos dois tecelões uma grande quantia, adiantadamente, para que logo começassem a trabalhar. Eles trouxeram dois teares nos quais fingiram tecer, mas nada havia em suas lançadeiras. Exigiram que lhes fosse dada uma porção da mais cara linha de seda e ouro, que puseram imediatamente em suas bolsas, enquanto fingiam trabalhar nos teares vazios.

- Eu gostaria de saber como vai indo o trabalho dos tecelões, pensou o rei. Entretanto, sentiu-se um pouco embaraçado ao pensar que quem fosse estúpido, ou não tivesse capacidade para ocupar seu posto, não seria capaz de ver o tecido. Ele não tinha propriamente dúvidas a seu respeito, mas achou melhor mandar alguém primeiro, para ver o andamento do trabalho.

Todos na cidade conheciam o maravilhoso poder do tecido e cada qual estava mais ansioso para saber quão estúpido era o seu vizinho.
- Mandarei meu velho ministro observar o trabalho dos tecelões. Ele, melhor do que ninguém, poderá ver o tecido, pois é um homem inteligente e que desempenha suas funções com o máximo da perfeição, resolveu o rei.

Assim sendo, mandou o velho ministro ao quarto onde os dois embusteiros simulavam trabalhar nos teares vazios.
- "Deus nos acuda!!!" pensou o velho ministro, abrindo bem os olhos. "Não consigo ver nada!"
Não obstante, teve o cuidado de não declarar isso em voz alta. Os tecelões o convidaram para aproximar-se a fim de verificar se o tecido estava ficando bonito e apontavam para os teares. O pobre homem fixou a vista o mais que pode, mas não conseguiu ver coisa alguma.
- "Céus!, pensou ele. Será possível que eu seja um tolo? Se é assim, ninguém deverá sabê-lo e não direi a quem quer que seja que não vi o tecido."

- O senhor nada disse sobre a fazenda, queixou-se um dos tecelões.
- Oh, é muito bonita. É encantadora!! Respondeu o ministro, olhando através de seus óculos. O padrão é lindo e as cores estão muito bem combinadas. Direi ao rei que me agradou muito.
- Estamos encantados com a sua opinião, responderam os dois ao mesmo tempo e descreveram as cores e o padrão especial da fazenda. O velho ministro prestou muita atenção a tudo o que diziam, para poder reproduzi-lo diante do rei.

Os embusteiros pediram mais dinheiro, mais seda e ouro para prosseguir o trabalho. Puseram tudo em suas bolsas. Nem um fiapo foi posto nos teares, e continuaram fingindo que teciam. Algum tempo depois, o rei enviou outro fiel oficial para olhar o andamento do trabalho e saber se ficaria pronto em breve. A mesma coisa lhe aconteceu: olhou, tornou a olhar, mas só via os teares vazios.
- Não é lindo o tecido? Indagaram os tecelões, e deram-lhe as mais variadas explicações sobre o padrão e as cores.
"Eu penso que não sou um tolo, refletiu o homem. Se assim fosse, eu não estaria à altura do cargo que ocupo. Que coisa estranha!!"... Pôs-se então a elogiar as cores e o desenho do tecido e, depois, disse ao rei: "É uma verdadeira maravilha!!"

Todos na cidade não falavam noutra coisa senão nessa esplendida fazenda, de modo que o rei, muito curioso, resolveu vê-la, enquanto ainda estava nos teares. Acompanhado por um grupo de cortesões, entre os quais se achavam os dois que já tinham ido ver o imaginário tecido, foi ele visitar os dois astuciosos impostores. Eles estavam trabalhando mais do que nunca, nos teares vazios.

- É magnífico! Disseram os dois altos funcionários do rei. Veja Majestade, que delicadeza de desenho! Que combinação de cores! Apontavam para os teares vazios com receio de que os outros não estivessem vendo o tecido.
O rei, que nada via, horrorizado pensou: "Serei eu um tolo e não estarei em condições de ser rei? Nada pior do que isso poderia acontecer-me!" Então, bem alto, declarou:
- Que beleza! Realmente merece minha aprovação!! Por nada neste mundo ele confessaria que não tinha visto coisa nenhuma. Todos aqueles que o acompanhavam também não conseguiram ver a fazenda, mas exclamaram a uma só voz:
- Deslumbrante!! Magnífico!!

Aconselharam eles ao rei que usasse a nova roupa, feita daquele tecido, por ocasião de um desfile, que se ia realizar daí a alguns dias. O rei concedeu a cada um dos tecelões uma condecoração de cavaleiro, para seu usada na lapela, com o título "cavaleiro tecelão". Na noite que precedeu o desfile, os embusteiros fiizeram serão. Queimaram dezesseis velas para que todos vissem o quanto estavam trabalhando, para aprontar a roupa. Fingiram tirar o tecido dos teares, cortaram a roupa no ar, com um par de tesouras enormes e coseram-na com agulhas sem linha. Afinal, disseram:

- Agora, a roupa do rei está pronta.
Sua Majestade, acompanhado dos cortesões, veio vestir a nova roupa. Os tecelões fingiam segurar alguma coisa e diziam: "aqui está a calça, aqui está o casaco, e aqui o manto. Estão leves como uma teia de aranha. Pode parecer a alguém que não há nada cobrindo a pessoa, mas aí é que está a beleza da fazenda".

- Sim! Concordaram todos, embora nada estivessem vendo.
- Poderia Vossa Majestade tirar a roupa? propuseram os embusteiros. Assim poderiamos vestir-lhe a nova, aqui, em frente ao espelho. O rei fez-lhes a vontade e eles fingiram vestir-lhe peça por peça. Sua majestade virava-se para lá e para cá, olhando-se no espelho e vendo sempre a mesma imagem, de seu corpo nu.
- Como lhe assentou bem o novo traje! Que lindas cores! Que bonito desenho! Diziam todos com medo de perderem seus postos se admitissem que não viam nada. O mestre de cerimônias anunciou:
- A carruagem está esperando à porta, para conduzir Sua Majestade, durante o desfile.
- Estou quase pronto, respondeu ele.

Mais uma vez, virou-se em frente ao espelho, numa atitude de quem está mesmo apreciando alguma coisa.
Os camareiros que iam segurar a cauda, inclinaram-se, como se fossem levantá-la do chão e foram caminhando, com as mãos no ar, sem dar a perceber que não estavam vendo roupa alguma. O rei caminhou à frente da carruagem, durante o desfile. O povo, nas calçadas e nas janelas, não querendo passar por tolo, exclamava:
- Que linda é a nova roupa do rei! Que belo manto! Que perfeição de tecido!
Nenhuma roupa do rei obtivera antes tamanho sucesso!

Porém, uma criança que estava entre a multidão, em sua imensa inocência, achou aquilo tudo muito estranho e gritou:
- Coitado!!! Ele está completamente nu!! O rei está nu!!
O povo, então, enchendo-se de coragem, começou a gritar:
- Ele está nu! Ele está nu!
O rei, ao ouvir esses comentários, ficou furioso por estar representando um papel tão ridículo! O desfile, entretanto, devia prosseguir, de modo que se manteve imperturbável e os camareiros continuaram a segurar-lhe a cauda invisível. Depois que tudo terminou, ele voltou ao palácio, de onde envergonhado, nunca mais pretendia sair. Somente depois de muito tempo, com o carinho e afeto demonstrado por seus cortesões e por todo o povo, também envergonhados por se deixarem enganar pelos falsos tecelões, e que clamavam pela volta do rei, é que ele resolveu se mostrar em breve aparições... Mas nunca mais se deixou levar pela vaidade e perdeu para sempre a mania de trocar de roupas a todo momento.

Quanto aos dois supostos tecelões, desapareceram misteriosamente, levando o dinheiro e os fios de seda e ouro. Mas, depois de algum tempo, chegou a notícia na corte, de que eles haviam tentando fazer o mesmo golpe em outro reino e haviam sido desmascarados, e agora cumpriam uma longa pena na prisão.

de Hans Christian Andersen